quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Zimmermann e Chipp admitem que sistema não suporta queda simultânea de linhas

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, admitiram na Câmara dos Deputados que o sistema de transmissão não está preparado para suportar a ocorrência de contingências duplas, com a queda simultânea de dois circuitos em grandes linhas de transmissão. Em audiência pública na Comissão de Minas e Energia, Zimmermann destacou a importância do planejamento e lembrou que a cada evento há uma avaliação das falhas para a melhoria contínua do sistema.

Para o secretário, países como os Estados Unidos não têm grandes sistemas de transmissão como o Brasil, pois a produção de energia está próxima dos centros de carga, mas, quando ocorrem desligamentos, esses sistemas localizados podem levar dias para se recompor. Chipp destacou que "apesar de [a ocorrência de desligamentos] ser uma situação desagradável, você tira desse evento como o sistema se comporta". Ele lembrou que a referência no Brasil e no mundo em termos de segurança do sistema é o critério de segurança N-1, em que o uso de um segundo circuito nas linhas de transmissão garante a manutenção do sistema em caso de queda do primeiro circuito. 

Segundo Chipp, depois de Brasília, o Nordeste deve ser a região em que contingências duplas podem resultar em risco mais elevado de blecaute regional. Com a pior hidrologia dos últimos 82 anos, a região é prioritária atualmente no planejamento de operação do ONS.

O diretor do operador do sistema informou que houve a interrupção de 11 mil MW no apagão de transmissão que afetou no mês passado toda a região, mas afirmou que a recomposição total do sistema aconteceu de forma mais rápida que em blecautes anteriores, com 90% das cargas restabelecidas em menos de três horas e meia, contra cinco horas e meia de outras ocorrências. O executivo disse que primeiro é necessário evitar o desligamento, mas, uma vez ocorrido, deve se restringir a propagação e correr atrás da recomposição.

Zimmermann afirmou que, para evitar novos desligamentos no Nordeste, houve a redução do intercâmbio de energia de outras regiões de 3,8 mil MW médios para 2,7 mil MW médios, com o acionamento de 1 mil MW médios de termelétricas localizadas na região. Com isso, o eventual desligamento simultâneo de dois circuitos de uma mesma linha deve evitar um novo apagão nos estados nordestinos.

Também convidado para a audiência na comissão da Câmara, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Romeu Rufino, reforçou as características do sistema elétrico brasileiro, com geração normalmente longe dos centros de consumo e uma rede extensa para transporte de grandes blocos de energia. Rufino disse que já foram adotados conjuntos de ações para a melhoria do sistema de proteção, o que já se reflete na transmissão.

No caso do episódio do Nordeste, afirmou o diretor, existe um processo em curso para apuração de responsabilidades que pode resultar em sanções para as transmissoras Iene e Taesa, proprietárias das linhas de transmissão. "Nos processos a gente sempre tira ensinamentos para melhoria, inclusive nas práticas a serem adotadas", completou Rufino. O diretor da Aneel reconheceu que ampliar a segurança do sistema é importante, mas não pode ser feita de qualquer maneira, porque tem um custo crescente. "Tem que dosar com a modicidade tarifária", disse Rufino. "Segurança custa, não tem jeito. A sociedade tem que se manifestar sobre o quanto ela quer pagar", completou Chipp (Canal Energia)
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