segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dilma testa mudança na cobrança de luz

Entra em fase de teste a partir de março uma medida para repassar mensalmente à conta de luz o custo adicional do acionamento das usinas termelétricas. 

O novo sistema de cobrança entrará oficialmente em vigor em 2014 e prevê que os valores cobrados pela energia passem a flutuar, mês a mês, de acordo com a necessidade do uso das térmicas -cuja operação é mais cara. 

Atualmente, o repasse do custo extra é feito apenas uma vez ao ano, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica autoriza o reajuste das tarifas cobradas pelas distribuidoras de energia. 

Com o novo sistema, que valerá para consumidores residenciais e industriais, as empresas deverão estampar nas contas de luz um sinal nas cores verde, amarela ou vermelha. Essa bandeira indicará se o gasto previsto com as térmicas no mês será nulo, pequeno ou alto. 

Caso a bandeira seja verde, a tarifa permanecerá inalterada na cobrança feita no mês seguinte. Quando amarela, haverá acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. Na bandeira vermelha, o valor sobe a R$ 3 por 100 kWh. 

Uma família de quatro pessoas que consome em média 100 kwh durante o mês paga R$ 30. Com a bandeira amarela, essa família pagará 5% a mais. No caso da vermelha, o adicional será de 10%. 

Neste ano de teste, haverá apenas o aviso nas contas, sem a cobrança. 

A consequência da mudança é que, com o aumento destacado, o consumidor poderá planejar melhor seu consumo e economizar para compensar a alta, afirma Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc Energia, uma das maiores comercializadoras de energia do país. 

"Hoje, o impacto no preço chega muito tarde", afirma. O consumidor não é avisado ao longo do ano de quanto será o impacto do custo maior. 

Cada um dos quatro "subsistemas" do país -forma como a Aneel divide as regiões brasileiras- receberá uma cor de bandeira para o mês. 

Os valores aplicados no ano que vem podem, no entanto, ser diferentes daqueles anunciados na fase de simulação, já que a agência submeteu os valores adicionais cobrados pelas bandeiras a audiência pública. 

Neste mês, a Aneel divulgou pela primeira vez a cor das bandeira para os subsistemas em seu site. Diante do nível mais baixo para os reservatórios do país na última década, a bandeira de janeiro é de cor vermelha para todas as regiões. 

Como a Folha noticiou, o governo estuda ratear com as geradoras esse custo adicional para não comprometer o efeito da redução média de 20% na tarifa de energia, que deve começar a partir do próximo mês, segundo o Ministério de Energia. (Folha de S. Paulo)

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