quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dilma aciona sua tropa de choque contra a ameaça de racionamento

A presidente Dilma Rousseff mo­bilizou o alto escalão do gover­no para dar um fim às especula­ções que apontam riscos de ra­cionamento de energia e aumen­to nas contas de luz do consumi­dor. A força tarefa, coordenada entre o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, e a presidente da Petro- brás, Graças Foster, foi mon­tada para aba­far qualquer de­sacerto no setor elétrico, berço da carreira ad­ministrativa de Dilma, iniciada na secretaria de Minas e Energia do governo do Rio Grande, en­tre 1993 e 1994, e mais tarde consolidada como ministra da mesma pasta no governo Lula.

No ministério, em Brasília, Lobão garantiu estoque de ener­gia térmica suficiente para aten­der a demanda do país diante do baixo nível dos reservatórios e reafirmou que o governo man­terá o compromisso de entregar uma redução nas contas de luz de 20%, em média, neste ano, apesar da elevação dos custos causados pelo acionamento in­tensivo das termelétricas. "A re­dução nas tarifas de energia acontecerão já a partir do próxi­mo mês", disse Lobão.

O Operador Nacional do Siste­ma Elétrico (ONS) admite um custo mais alto de geração de energia causado pelo acionamen­to das térmicas — que têm pre­ços mais caros quando compara­das à energia hídrica. O impacto nas tarifas, gerado por meio de Encargos de Serviços do Siste­ma (ESS) será neste início de ano de cerca de R$ 800 milhões, pelo acionamen­to das térmicas desde o final do ano passado, e deve seguir em R$ 400 milhões, em média, pe­los próximos meses, caso as térmicas conti­nuem ligadas.

Segundo o diretor-geral da ONS, Hermes Chipp, a Agên­cia Nacional de Energia Elétri­ca (Aneel) estuda medidas para evitar que este aumento do cus­to de energia seja repassado in­tegralmente ao consumidor. Ele não entrou em detalhes de como a medida poderá ser operacionalizada, mas caso as tér­micas continuem ligadas ao lon­go de 2013, o aumento da conta de luz poderia chegar a 3%, o que reduziria o desconto na ta­rifa prometido por Dilma para cerca de 17%.

Mas Lobão afirma que o per­centual de aumento nas contas de luz diz respeito a um cenário extremo, que não deve se confir­mar. A perspectiva do ministé­rio é que o volume de chuva pre­visto para ocorrer até abril seja suficiente para recuperar o ní­vel de segurança dos reservató­rios, o que colocaria fim a neces­sidade de uso das termelétricas. "O período mais intenso de chu­vas é até abril e contamos com isso para que o custo de geração de energia caia", afirma Lobão.

Segundo o diagnóstico de Chipp, a necessidade mais urgente para a retomada dos níveis de se­gurança do fornecimento da ge­ração hídrica é para o restabele­cimento do nível de água dos re­servatórios na Bacia do Rio Grande (entre Minas Gerais e São Paulo) e na Bacia do Rio Parnaíba que incluem as usinas de Furnas e da Cemig, responsá­veis por grande parte do abaste­cimento da região Sudeste.

Lobão afirmou que o estoque de energia que o Brasil possui hoje é suficiente para evitar qualquer risco de repetição de racionamento de energia, a exemplo do que ocorreu em 2001. Segundo o ministro, há 121 mil megawatt (MW) de esto­que energético atualmente, dife­rente dos 70 mil MW que exis­tiam há 10 anos. Além disso, há 106 mil quilômetros de rede de transmissão, o que também é bem maior do que no passado. Além disso, cerca de 3 mil MW de potência advinda de termelé­tricas devem ser agregados ao sistema até abril deste ano. (Brasil Econômico)
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