terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Chesf enxuga despesas para garantir queda na conta de luz

As estatais do setor elétrico começaram a enxugar despesas para se adequar aos efeitos da Medida Provisória 579, que estabelece uma redução de até 20% na conta de luz a partir do próximo mês. A tentativa de diminuir as despesas é para minimizar as perdas de receita provocadas pela medida. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que responde por 46% de toda energia atingida pela MP e terá uma perda anual de receita de R$ 3 bilhões, anunciou a suspensão do recebimento de projetos de patrocínio cultural e criou um Plano de Incentivo ao Desligamento (PID) para reduzir as despesas com pessoal. 

A necessidade de se adequar ao cenário de caixa mais pobre também poderá acelerar o repasse de ativos que já vinham sendo negociados, como o Hospital Nair Alves de Souza, mantido pela companhia no município baiano de Paulo Afonso. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a manutenção do equipamento custaria R$ 29 milhões por ano. 

No último dia 10, a diretoria da Chesf assinou protocolo de intenções com o prefeito do Recife, Geraldo Julio, para que, em 90 dias, sejam definidos os termos do repasse das dependências do antigo Clube Chesf para a gestão municipal. No local, a prefeitura deverá instalar o Centro Comunitário da Paz (Compaz), com atuação na área de esportes, cultura e qualificação profissional. O Clube Chesf foi desativado em 2010 e a empresa vinha arcando com despesas de manutenção, vigilância e impostos. 

Por meio de sua assessoria de comunicação, a Chesf informa que o repasse dos ativos já vinham sendo negociados há anos e que não estariam relacionados com a MP 579. Apesar da negativa, a companhia afirma que para se adequar à nova realidade de receita iniciou um rigoroso programa de modernização de gestão. Como um dos objetivos é reduzir custos operacionais, nada mais natural que a empresa se apresse em se desfazer de equipamentos que não estão alinhados à atividade fim da estatal. 

SOCIAL  - A Chesf garante que a necessidade de reduzir despesas não vai comprometer os projetos sociais e ambientais em curso. "Todos os projetos sociais que estavam em andamento no segundo semestre de 2012 e que tinham previsão de execução em 2013 foram mantidos. A empresa detém 18 projetos de responsabilidade social em execução e mais três em processo de contratação. A previsão orçamentária para 2013 dessa área é de R$ 8 milhões (mesma média de investimento anual). Na área ambiental, o orçamento para 2013 é de R$ 30 milhões e, também, todos os projetos estão confirmados", diz em nota. Já na área de patrocínio cultural o orçamento será reduzido. (Jornal do Commercio / PE)

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