quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Agentes acreditam em consolidação no setor eólico brasileiro

O alto grau de disputa a que chegaram os leilões de energia eólica no Brasil e o crescente interesse de investidores no setor devem levar a uma consolidação no mercado nos próximos anos. Alguns sinais dessa tendência apareceram em 2011, quando a CPFL se fundou à Energias Renováveis S.A. – Ersa e comprou a Siif Énergies, enquanto a Light entrou no bloco de controle da Renova Energia.

Nos últimos certames promovidos pelo governo, foi possível perceber também o número cada vez maior de players brasileiros e internacionais de renome. Espanhóis, como Iberdrola, Elecnor e Gestamp, ganharam força, assim como as estatais brasileiras – Chesf, Furnas e Eletrosul – e o setor privado, com EDP, Odebrecht e outras.

O superintendente de novos projetos da Renova Energia, Leandro Borgo, diz que a consolidação acontecerá “com certeza absoluta”. Ele ressalta que o setor eólico é diferente do de PCHs que, apesar de ter vivido um “boom” há alguns anos, “nunca foi o modelo de negócios para as grandes empresas”. Isso porque as usinas exigem muito tempo e geram uma quantidade pequena de energia – até 30MW.

“Com eólicas você pode fazer 500MW, 1.000MW, até 2.000MW muito rápido e isso é o modelo das grandes”, afirma Borgo. Para o executivo, a grande competição exige dos investidores ganhos de escala, com projetos maiores, para conseguir boas margens. “(Os maiores players) são grandes geradores de caixa e, com as taxas retorno que demandam, o processo de consolidação é inevitável”.

Para o superintendente comercial da Wobben, Eduardo Lopes, o processo “é uma tendência natural de mercado” e se acentuou no País em 2011. “É muito comum isso, de os grandes estarem adquirindo os menores. O mercado tomou uma condição que cada vez mais tem o pessoal que desenvolve (os projetos), o pessoal que vai até certo ponto... e isso acaba passando depois para os grandes players – que já vêm do mercado elétrico, não especificamente eólico”, analisa o executivo.

“Os grandes players não vão entrar no mercado eólico – eles já estão”, afirma Caio David, diretor de operações da Siif Énergies, incorporada pela CPFL. Para o executivo, que acompanha o setor eólico brasileiro desde os primórdios, existe a um movimento no sentido de essas companhias de maior porte buscarem fusões e aquisições na área, para ganhar escala e competir em um mercado cada vez mais acirrado. (Jornal da Energia)


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