quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Obra antiapagão é adiada para "segurar" conta de luz

As quedas frequentes no suprimento de energia elétrica no país poderiam ser evitadas com o aumento substancial dos investimentos na área de transmissão, segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. Ele considera que isso, no entanto, elevaria de forma súbita o preço da energia para o consumidor. 

"A Aneel não pode fazer todas as obras ao mesmo tempo, porque as tarifas vão lá para cima. Temos que pegar as mais importantes, assim temos um equilíbrio permanente entre segurança e custo", disse Chipp, que ontem participou de reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília. 

Segundo o diretor do ONS, o trabalho feito para aumentar o nível de segurança no setor é pautado pelas ocorrências de apagões, quando são verificados os principais gargalos de investimento. Para Chipp, os problemas de queda de luz não estão relacionados à falta de planejamento do setor ou fiscalização das elétricas. "A cada experiência dessa, a gente vai atuando e fazendo uma varredura, para dar mais confiabilidade." 

Chipp disse que existe uma lista de projetos de transmissão que poderiam ser implementados para ampliar a segurança, mas que estão na gaveta. "A Aneel faz o leilão com as linhas mais prioritárias. Se você pegar o relatório de planejamento do ONS, existe a recomendação de fazer muito mais", afirmou o executivo. 

Chipp defendeu o aumento da disponibilidade de geração termelétrica para reduzir o risco de desabastecimento e destacou a necessidade de realizar leilões regionais de energia, levando os parques de geração para perto dos centros de consumo. 

Para ele, a proximidade entre os pontos de oferta e consumo tende a aumentar a segurança de abastecimento. "Isso reduz os riscos, porque as linhas são mais curtas e as térmicas estão mais próximas dos centros de cargas, e a recomposição do sistema em caso de apagão é mais rápida", afirmou Chipp. 

A adoção de leilões regionais sempre foi um ponto de divergência entre o ONS e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). "À medida que a carga no país vem crescendo, não temos mais sobra de reservatórios das hidrelétricas como antes", disse Chipp. "Essa é uma conclusão a que está se chegando. Por mais que um seja partidário da alternativa A ou B, tem que dar o braço a torcer, não tem jeito. " 

Uma ala do governo considera bem-sucedido o atual modelo de leilões para contratação de energia termelétrica, considerando os benefícios de o país contar com sistema de transmissão que integra as diferentes regiões. 

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, acredita que o ganho obtido com o aumento da competição entre os inúmeros projetos que entram nos leilões, localizados em diferentes regiões, tende a superar as eventuais perdas com o custo do transporte da energia para entrega nos diferentes Estados. (Valor Econômico)
Leia também:
Cemig para a reforma de usinas
Congresso aprova pacote para baratear energia
Para ONS, País tem de conviver com risco de apagão
Corte da conta de luz vai custar R$ 7 bi aos cofres públicos
Leilão de transmissão tem 15 grupos habilitados, afirma Aneel