quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CPFL e Equatorial compram Grupo Rede

A Equatorial Energia e a GPFL Energia anunciaram ontem a compra do grupo Rede Energia, do empresário Jorge Queiroz de Moraes Junior, por R$ 1. De acordo com comunicado, o negócio ainda depende de algumas condicionantes, como a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo comunicado, o acionista controlador deverá vender toda a participação, direta e indireta, no controle da Rede Energia e demais sociedades à Equatorial. Os investimentos necessários para a recuperação operacional e financeira das empresas, incluindo as concessionárias sob intervenção da Aneel, serão feitos em conjunto entre Equatorial e a CPFL. 

Desde 31 de outubro, as oito distribuidoras de eletricidade controladas pelo grupo Rede Energia estão sob intervenção da Aneel. Nos últimos anos, o grupo vinha enfrentando dificuldades para obter financiamentos no mercado para honrar seus compromissos. A situação chegou num ponto em que a empresa não conseguia mais pagar nem os encargos cobrados na tarifa de energia. 

Com a inadimplência, o grupo ficou impedido de aplicar reajustes nas tarifas da maioria das distribuidoras. Com dívidas elevadas e sem crédito no mercado, os investimentos na manutenção e expansão da rede foram atingidos. Os índices de qualidade, que medem o tempo e a frequência que os consumidores ficam sem luz, pioraram de forma expressiva. 

RECUPERAÇÃO. Em fevereiro deste ano, sem capacidade financeira, a distribuidora do Pará (Celpa), uma das mais importantes do grupo, entrou com pedido de recuperação judicial. Foi nesse momento que acendeu o sinal na Aneel, que começou a monitorar de perto a situação da empresa. Alguns meses depois, a Equatorial fez uma proposta pela distribuidora e acabou fechando negócio. Para o governo, era uma ótima saída, já que no passado a Equatorial conseguiu tirar a Cemar, do Maranhão, de situação semelhante a da Celpa e deixou a empresa com índices de qualidade bastante satisfatório. 

Com a intervenção da Aneel, várias empresas passaram a analisar os ativos da Rede Energia, cuja dívida somava algo em torno de R$ 6bilhões. Entre os interessados, apareceram Cemig, J&F e um fundo americano. Mas Jorge Queiroz preferiu assinar um acordo de preferência com a CPFL e com a Equatorial. Mesmo assim, durante a análise dos números pelas duas empresas, o J&F, que quere entrar no setor elétrico, fez algumas investidas para tentar comprar a empresa. 

A CPFL e a Equatorial tinham até semana que vem para decidir se fechavam o negócio ou não. Mas com a votação da MP 577, que deu mais poderes ao órgão regulador para intervir em empresas com dificuldades financeiras, o Senado incluiu uma cláusula que exigia que, nessas situações, a empresa teria de passar por uma espécie de leilão. Se a medida fosse aprovada pela presidente Dilma Rousseff, as duas empresas não poderiam fechar o negócio. (O Estado de S. Paulo)

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