A perspectiva de perdas bilionárias com a adesão ao plano do governo para o setor elétrico está levando várias das empresas à reação. Embora não se manifestem abertamente, executivos têm refeito as contas na ponta do lápis para avaliar custos e benefícios de renovar contratos.
Já os acionistas, principais prejudicados pela perda de valor de mercado das empresas e pela perspectiva de redução nos lucros (e, portanto, nos dividendos) articulam-se para reagir. Com exceção da Eletrobras, as empresas garantiram aos seus acionistas o direito de deliberar em assembleia a renovação, que deve ser feita até o dia 4.
A mais recente foi a Cesp (Companhia Energética de São Paulo), que ontem comunicou à CVM que também levará a decisão a acionistas.
DEVOLUÇÃO - O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse ao jornal "Valor" que, mantidas as atuais condições, a estatal paulista não terá outra saída a não ser a devolução das concessões.
"É isso. Não tem outro jeito. O rombo na receita é bilionário, não temos como assumir isso." Durante audiência no Senado, Aníbal criticou duramente o governo e disse que há grande possibilidade de a Cesp ir à Justiça por causa da usina Três Irmãos, que, ao contrário das demais, está apenas em sua primeira renovação de contrato.
Ontem, a ação da Cteep, que anunciou não aceitar as condições da MP 579, subiu 9,93%. Essa foi a maior alta do Ibovespa.
De acordo com o advogado David Waltenberg, especializado no setor elétrico, 3 de seus atuais 20 clientes do setor entrarão hoje com recurso administrativo nos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda, para tentar escapar das novas regras de renovação.
"O governo colocou as empresas no dilema de escolher entre o ruim e o pior", disse.
ELETROBRAS - A ausência da Eletrobras nessa lista preocupa a Amec (Associação dos Investidores do Mercado de Capitais), que afirma haver risco de o país perder a credibilidade de investidores internacionais se a estatal ceder à pressão do governo e aderir à renovação das concessões sem a aprovação dos seus acionistas.
O presidente da Amec, Mauro Cunha, diz acreditar que apenas a Eletrobras vá aderir à renovação, com a promessa do governo de fazer uma megacapitalização mais à frente, como fez com a Petrobras em 2010.
A Eletrobras tem 32,6% do seu capital total na mão do mercado, mas apenas 20,4% das ações ordinárias, que têm direito a voto, com investidores privados. A adesão do grupo é importante para o governo, uma vez que suas empresas concentram 67% da energia cuja concessão pode ser renovada antecipadamente.
Via assessoria, a Eletrobras informou que, a princípio, a intenção é renovar suas concessões, mas está calculando "instalação por instalação, as receitas e os custos para saber se é um bom negócio". (Folha de S. Paulo, com o "Valor")
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