quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Estudo mostra que companhias do setor de energia acumulam prejuízos R$ 49 bilhões

Prejuízos chegariam a R$ 49 bilhões se custo do capital fosse considerado, segundo pesquisa do Instituto Acende Brasil

As companhias brasileiras privadas do setor de energia acumulam perdas de R$ 49,3 bilhões entre 1998 e 2009. É o que aponta um levantamento do Instituto Acende Brasil e da consultoria Stern Stewart, feito com base em informações financeiras de 22 empresas e divulgado nesta terça-feira (27/10). Se em vez de investir em energia os investidores tivessem aplicado esse recurso em opções de renda fixa, como títulos públicos, poderiam ter um valor equivalente a R$ 222 bilhões.

Para chegar a estes números, os autores da pesquisa utilizaram a metodologia de Valor Econômico Agregado (EVA, na sigla em inglês). Diferentemente dos demais índices contábeis, o EVA considera o encargo do capital investido e o custo de oportunidade ( já que o investir deixou de aplicar em outros setores). “É a conta que os investidores olham. Um setor com dados negativos não é saudável”, afirma o vice-presidente da Stern Stewart, Augusto Korps Junior.

Os números negativos no setor elétrico não refletem a situação atual. De 2007 a 2009, os resultados das companhias passaram para a ser positivos e acumularam ganhos de R$ 2,6 bilhões. Essa recuperação se deve à redução da taxa de juros brasileira, ao aumento do consumo de energia e aos ganhos de eficiência nas companhias, afirma o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales. Com três anos de desempenho positivo, a expectativa de Sales é que o setor atraia mais investimentos nos próximos anos.

As perdas do passado, no entanto, dificilmente serão recuperadas. O contexto de juros altos prejudicou o setor entre 1998 e 2000. A política de racionamento de energia, implantada no Brasil em 2001, adiou a recuperação e trouxe um retorno sobre o investimento ainda menor no setor nos anos seguintes.

Além da queda dos juros, a redução de impostos também poderia aumentar o apetite dos investidores pelo setor de energia. Segundo o estudo, 32% da receita bruta de uma companhia elétrica é utilizada para o pagamento de impostos. (IG) Para ler o estudo na íntegra Clique aqui

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